
Olhas-me como se eu fosse ser para sempre o anjo loiro que não sou. Afastas com os dedos todas as manchas dos meus vícios e limpas com a ponta da camisa branca as marcas dos caprichos com que te chego. Depois colocas-me de costas para o espelho, para eu não ver que te sorrio já muito mais do que devia... Puxas duas almofadas à cabeceira, riscas outro fósforo, chamas-me "criança", prometes-me uma caverna com a tua idade e sopras-me entre fumo um poema de Bukowski que eu nunca mais voltei a ouvir em ninguém.
«majestic, magic
infinite
my little girl is
sun
on the carpet-
out the door
picking a flower, ha!
an old man,
battle-wrecked,
emerges from his
chair
and she looks at me
but only sees
love,
ha!, and I become
quick with the world
and love right back
just like I was meant
to do.»*
[*"Betting on the Muse: Poems & Stories"]
A Loira
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